terça-feira, 9 de junho de 2009


Eu não quero ser nada (O que você quer ser quando crescer?)


Uma pergunta que me aterrorizou por toda a vida foi: O que você vai ser quando crescer?
Pelo amor de Deus! Tenho essa pergunta talvez como um dos grandes traumas da minha vida. Nessa de – “você vai ser o que?” Já fui médico (primórdios – têm explicação pois fui do tipo doentinho!), militar era um grande sonho (provavelmente pelo exemplo de meu avô ex-combatente de guerra ou quem sabe um gosto em dar ordens – sou um reacionário latente!), acabei estudando Direito por gostar da “justiça” e talvez assistir a muitos filmes de tribunal americano.
A vida acabou por dar voltas tão absurdas que nesse momento do Direito em diante tudo tomou um ar novo, afinal nada mais era, eu não sou. No sem sentido da vida (que Heidegger diz ser o que de melhor pode acontecer – mas não parece!) acabei tornando-me estudante de filosofia. Não que simplesmente tenha acontecido, mas a partir de certo momento procurei escutar mais, certas vozes (talvez o Daimon socrático!).
Posso perceber vagamente o estrago de tal pergunta em toda uma cultura. Pergunta que privilegia um futuro imaginário, de possibilidades de “ascensão”, criando sonhos e sonhando com o poder (ilusório) de moldar, projetar o “futuro”. Como se tal existisse nestes termos.
Acabamos não percebendo o próprio real que escorre bem na nossa frente e só terá valor num futuro distante como forma de lembranças e saudades.

NiNo Strapillo
04/11/2003

Um comentário:

Vivi disse...

Eu quero ser tanta coisa... Mas não quando eu crescer, agora! Imediatamente, correndo e pulsando, deixando o sorriso e a vontade de ser feliz me conduzir e fazendo o bem (olhando a quem). Ser eu mesma e encontrando o melhor de mim para encontrar o melhor nos outros.